PRESERVAR É NOSSO DEVER

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MESTRE EM ENGENHARIA URBANA E AMBIENTAL NA ÁREA DE SANEAMENTO AMBIENTAL PELA UFPB, ESPECIALISTA EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL,QUÍMICA INDUSTRIAL E LICENCIADA EM QUÍMICA PROFESSORA DA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DO ESTADO DA PARAÍBA DA DISCIPLINA QUÍMICA.

domingo, 27 de março de 2011

NOÇÕES GERAIS DE SANEAMENTO



2.1. Introdução

2.1.1. Conceitos fundamentais

a)   Saúde : É o completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doenças e infecções (OMS).

b)  Saúde pública:  É a ciência e a arte de promover, proteger e recuperar a saúde, através de medidas de alcance coletivo e de motivação da população. A saúde pública cumpre principalmente as funções de educar e prevenir. A saúde pública tem como principais colaboradores a medicina preventiva e social e o saneamento.

c) Saneamento do meio: Estuda as relações do homem com o meio físico. É definido como sendo o controle de todos os fatores que podem exercer efeitos nocivos sobre seu bem-estar físico, mental ou social (OMS).
As atividades do saneamento envolvem, principalmente :
-     abastecimento de água;
-     sistema de esgotos (domésticos, industriais e águas pluviais);
-     acondicionamento, coleta, transporte, tratamento e ou destino final dos resíduos sólidos (lixo);
-     saneamento dos alimentos;
-     controle da poluição ambiental (água, ar, solo, acústica e visual);
-     controle de artrópodes e de roedores de importância em saúde pública;
-     saneamento da habitação, dos locais de trabalho, de educação e de recreação e dos hospitais;
-     saneamento e planejamento territorial;
-     saneamento dos meios de transporte;
-     saneamento em situação de emergência;
-     aspectos diversos de interesse no saneamento do meio (cemitérios, aeroportos, ventilação, iluminação, insolação, etc. ).

d) Sistema público de abastecimento de água® É o conjunto de estruturas, equipamentos, canalizações, órgãos principais e acessórios, peças especiais destinadas ao fornecimento de água segura e de boa qualidade para os prédios e pontos de consumo público, para fins sanitários, higiênicos e de conforto da população.
O sistema de abastecimento compreende basicamente: manancial (captação), adução, estação elevatória, tratamento, reservação e distribuição.

2.1.2. A água na transmissão de doenças

a)   Usos da água e saúde dos muitos usos que a água pode ter, alguns estão intimamente relacionados com a saúde humana:

a.1) Água utilizada como bebida ou na preparação de alimentos. Neste caso há contato direto entre a água e o organismo humano.
a.2) Água utilizada no asseio corporal ou a que, por razões profissionais ou outras quaisquer, venha a ter contato direto com a pele ou mucosas do corpo humano (ex.: trabalhadores agrícolas, lavadeiras, atividades recreativas). Neste caso também há contato direto entre a água e o organismo humano.

a.3) Água empregada em manutenção da higiene do ambiente e, em especial, dos locais e instalações e usados no manuseio, preparo e ingestão dos alimentos (domicílios, restaurantes, bares, etc.). Há contato principalmente indireto.

a.4) Água utilizada na rega de hortaliças ou nos criadouros de moluscos (ostras, mariscos, etc.). O contato com a água é principalmente indireto.

A nocividade da água pode resultar da sua má qualidade. A quantidade insuficiente de água também pode causar problemas. Segundo a OMS, aproximadamente ¼ dos leitos existentes em todos os hospitais do mundo estão ocupados por enfermos, cujas doenças são ocasionadas pela água.
Em a.1) e a.4) influi a qualidade da água e em a.2) e a.3) além da qualidade é muito importante a quantidade.

b)  Água como veículo de doenças Os sistemas de abastecimento de água de uma comunidade desde a captação, adução, tratamento, reservação e distribuição, bem como dos domicílios e edifícios em geral deve ser bem projetado, construído, operado, mantido e conservado, para que a água não se torne veículo de transmissão de diversas doenças. Essas doenças podem ser classificadas em dois grupos:

b.1) Doenças de transmissão hídrica a água atua como veículo propriamente dito, do agente infeccioso (como por exemplo no caso de febre tifóide, da disenteria bacilar, etc.)

b.2) Doenças de origem hídrica a água pode conter certas substâncias (denominadas contaminantes tóxicos), que em teor inadequado dão origem a doenças como fluorose (excesso de flúor), metemoglobinemia ou cianose (excesso de nitrato), bócio (carência de iodo) e saturnismo (excesso de chumbo).

*                     Doenças de transmissão hídrica os microorganismos patogênicos responsáveis por essas doenças atingem a água com as fezes de pessoas ou animais infectados. Essas doenças atingem notadamente o aparelho intestinal . Em geral, os microrganismos normalmente presentes na água podem: ter seu “habitat” normal nas águas de superfície; ter sido carreados pelas águas de enxurradas; provir de esgotos domésticos e outros resíduos orgânicos, que atingiram a água por diversos meios; ter sido trazidos pelas chuvas na lavagem atmosférica.

Relativamente aos microorganismos patogênicos, as doenças de transmissão hídrica podem ser ocasionados por :

·      bactérias : febre tifóide, febres paratifóides, disenteria bacilar, cólera;
·      protozoários : amebíase ou disenteria amebiana;
·      vermes (helmintos) e larvas : esquistossomíase;
·      vírus : hepatite infecciosa e poliomielite.
-     Doenças de origem hídrica quatro tipos de contaminantes tóxicos podem ser encontrados nos sistemas públicos de abastecimento de água :

1) Contaminantes naturais de uma água que esteve em contato com formações minerais venenosas. Os contaminantes de origem mineral incluem: o flúor, o selênio, o arsênio e o boro. Com exceção do flúor, raramente são encontrados em teores capazes de ocasionar danos.

2) Contaminantes naturais de uma água ocasionados por colônias de microorganismos venenosos como certos tipos de algas que dão à água aspecto repulsivo ao homem, que tem assim uma defesa natural através dos seus sentidos; não obstante, a mortalidade de gado que ingere esses contaminantes tem sido verificada.

3) Contaminantes introduzidos pela corrosão de tubulações metálicas podem ocasionardistúrbios, principalmente em águas moles (dureza baixa) ou que contenham certo teor de bióxido de carbono (o que pode ocorrer por prática inadequada no tratamento da água).

4) Contaminantes introduzidos nos cursos d'água por certos despejos ­industriais. Dos metais empregos nas tubulações, o único de toxidez comprovada (e cumulativa) é o chumbo (saturnismo). Cobre, zinco e ferro, mesmo em pequenas quantidades dão à água gosto metálico característico e são responsáveis por certos distúrbios em determinadas operações industriais.

*                     O tratamento químico da água para coagulação, desinfecção e destruição de algas ou controle da corrosão pode ser uma fonte potencial de contaminação da água.

c) Água e doenças as doenças relacionadas com a água podem ser causadas por:

*                    Agentes microbianos são as doenças que apresentam caráter infeccioso ou parasitário. A penetração no organismo pode ser por via predominantemente oral (cólera, febre tifóide, febre paratifóide; hepatite infecciosa, diarréias infantis) e por via principalmente cutânea - pele ou mucosa (esquistossomose; leptospirose; outras doenças que se referem aos banhos de praia, piscinas, rios, etc.).

*                    Agentes Químicos a água, através do seu ciclo hidrológico, está em permanente contato com os constituintes da atmosfera e da crosta terrestre, dissolvendo muitos elementos e carreando outros em suspensão. O homem também, por suas múltiplas atividades, nela introduz substâncias das mais diversas naturezas. Assim, os poluentes químicos podem ser naturais (substâncias minerais e orgânicas dissolvidas ou em suspensão e gases provenientes da atmosfera) e podem ser artificiais (resultante das substâncias empregadas no tratamento da água - sulfato de alumínio, cal, etc.; uso indiscriminado de pesticidas, herbicidas, carrapaticidas, inseticidas, raticidas, etc.; de despejos industriais; dos esgotos sanitários; da emissão das chaminés das fábricas; insineradores)

2.1.3. Doenças relacionadas com a falta de saneamento

Reconhece-se que o fator quantidade de água tem tanta ou mais importância que a qualidade, na prevenção de algumas doenças. A escassez da água dificultando a limpeza corporal e a do ambiente, permite a disseminação de enfermidades associadas à falta de higiene. Assim, a incidência de certas doenças diarréicas, varia inversamente à quantidade de água disponível "per capita" mesmo que essa água seja de qualidade muito boa. Doenças cutâneas e infecções provocadas por piolho podem ser evitadas ou atenuadas onde existe conjugação de bons hábitos higiênicos (saneamento) e quantidade de água suficiente.

As doenças referentes a deficiência de saneamento básico classificadas como :

a)    doenças transmitidas pela água;
b)   doenças causadas pela falta de água;
c)    doenças causadas por agentes que dependem do meio aquático;
d)   doenças transmitidas por insetos (vetores que dependem do meio aquático);
e)    doenças causadas por organismos aquáticos ingeridos de forma crua.

·      As doenças mais importantes são as transmitidas pela água: Cólera, Febre tifóíde e Febres paratifóides; Disenteria infecciosa; Leptospirose; Giardíase; Enterites gastrointestinais.

·      As doenças intestinais são causadas pela falta de saneamento, pela água de má qualidade e pela ausência de condições adequadas para a disposição de dejetos humanos.

·      Sempre que as águas imundas são encaminhadas ao solo, às sarjetas e aos cursos de água elas podem constituir perigosos focos de disseminação de moléstias graves.

·      A má disposição de lixo, por sua vez,  além de provocar a multiplicação de vetores perigosos, pode causar contaminação de águas superficiais e subterrâneas (lençóis freáticos).

·             A água é também indispensável ao ciclo biológico de muitos vetores animados, responsáveis por doenças graves. Os mosquitos que transmitem a malária e a febre amarela, tem a fase larvária, obrigatoriamente em meio aquático. Assim, doenças como a malária, indiretamente, estão relacionadas com a água; neste caso, a água não atua como veículo, mas o mosquito transmissor se procria nas coleções de água, e portanto, ao se estudar a construção de um reservatório de acumulação destinado ao abastecimento de água, deve-se investigar as espécies de mosquitos existentes na área de inundação e vizinhanças, bem como aspectos epidemiológicos relacionados à malária.

·             A ingestão de organismos aquáticos (peixes e mariscos) em estado cru, contaminados por doenças perigosas (cólera) que chegam ao mar e cursos d'água pela falta de coletores de esgotos e tratamento de efluentes na região pode contaminar pessoas. Essas pessoas viajando, podem transportar os agentes causadores dessas doenças em suas fezes e ser o foco de contaminação de água e alimentos.

2.2. Importância econômica e sanitária dos sistemas de abastecimento d'água

·      A Organização Mundial de Saúde - OMS, estima que pelo menos dez mil pessoas falecem por dia em conseqüência de acidentes e doenças causadas por falta de habitação adequada e de serviços essenciais de água potável e esgotos sanitários. Nos países em desenvolvimento avaliou-se que aproximadamente 80% dos leitos hospitalares vem sendo ocupados por pacientes com doenças causadas direta ou indiretamente pela água de má qualidade e por falta de saneamento.
Assim, a importância sanitária do abastecimento de água é das mais discutidas; a implantação ou melhoria dos serviços de abastecimento de água traz como resultado uma rápida e sensível melhoria na saúde (diminuição das moléstias cujos agentes epidemiológicos são encontrados nas fezes humanas) e nas condições de vida de uma comunidade principalmente através de :

-     controle e prevenção de doenças;
-     promoção de hábitos higiênicos da população;
-     desenvolvimento de esportes (como a natação);
-     melhoria da limpeza pública;
-     conforto e segurança coletiva (refrigeração e combate a incêndio).

·      Esses benefícios se acentuam muito com a implantação e melhoria dos sistemas de esgotos sanitários.

·      Tem sido constatado também que a implantação de sistemas adequados de abastecimento de água e de destino de dejetos, a par da diminuição das doenças transmissíveis pela água, indiretamente ocorre a diminuição da incidência de uma série de outras doenças, não relacionadas diretamente aos despejos ou ao abastecimento de água.

·      Verificou-se também a existência de uma correlação entre a redução de mortalidade por febre tifóide e a redução de mortes devido a outras enfermidades.
Quando se reduz a mortalidade por febre tifóide mediante a distribuição de água de boa qualidade, provavelmente se reduz, também, por duas a três vezes a mortalidade devido a outras enfermidades. Como exemplo particular, esse efeito se observa com a mortalidade infantil.

·             A importância econômica do abastecimento de água é também verificada. A influência direta mais importante da sua implantação reside num aumento de vida média da população servida; numa diminuição da mortalidade em geral e, em particular, da infantil; numa redução de número de horas perdidas com diversas doenças; estes fatos se refletem numa maior eficiência nas atividades econômicas dos cidadãos (maior número de horas de trabalho), possibilitando, com isto, o aumento de produção.

·      A influência da água, do ponto de vista econômico, faz-se sentir mais diretamente no desenvolvimento industrial, por constituir, ou matéria-prima em muitas indústrias, como as de bebida, ou meio de operação, como água para caldeiras, etc.

·      A melhoria de um serviço de abastecimento de água acarreta a diminuição indireta no custo médio de uma enfermidade, incluindo despesas com médicos, remédios e descontos de salários.

2.3. Controle de qualidade da água como fator de saúde

·      A água possui uma série de impurezas, que vão definir mais características físicas, químicas e biológicas; a qualidade da água depende dessas características.
·      As características químicas das águas que escoam superficialmente ou nos lençóis subterrâneos descreve a natureza do terreno ou a qualidade do subsolo ao longo de seu percurso.
·      A água pode, pois, incorporar uma grande variedade de substâncias, algumas inócuas, como o nitrogênio, oxigênio, etc., outras impurezas podem ser tóxicas ou prejudiciais à saúde. Dependendo da região até mesmo a água de poços subterrâneos pode apresentar teores excessivos de compostos indesejáveis de ferro, flúor e outros elementos.
·      É de grande importância que se comparem e selecionem fontes alternativas para o abastecimento público. É indispensável um levantamento sanitário da área, além da realização de diversas análises da água. As impurezas mais nocivas são aquelas que contaminam as águas: micróbios e substâncias radioativas.
FONTE: http://www.ecivilnet.com/apostilas/apostilas_sistemas_de_abastecimento.htm

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